terça-feira, fevereiro 27, 2007

"Encerrado para Obras" denuncia...

















De facto, eu concordo com tudo o que foi dito pelo Pankas. A análise clara e exaustiva dos espaços culturais existentes na cidade não deixa margem para dúvidas: os políticos locais não querem apoiar a cultura, querem é acabar com ela. Porquê? Bem isso é outra questão que nos daria certamente pano para mangas...

Em todo o caso, só não concordará com esta leitura quem realmente não quiser ver os factos - quem tiver dúvidas, eu sugiro que venha passar uns dias connosco (com a companhia de teatro Encerrado para Obras).

Será bem-vindo e poderá ver com os seus próprios olhos em que condições nós trabalhamos árdua e alegremente apesar das precariedades. Só para que fiquem minimamente esclarecidos, eis uma súmula do nosso historial:

A companhia foi criada por 3 profissionais de teatro em 1995, tendo desde então criado 22 produções de teatro e música. Nos primeiros anos, a actividade da companhia não era permanente, as pessoas eram todas profissionais das artes do espectáculo mas como não havia meios na Encerrado para Obras, éramos obrigados a trabalhar com outros projectos, mesmo com aqueles que eram para nós altamente questionáveis. Da equipa inicial, só resto eu próprio, os outros procuraram outras paragens. A verdade é que graças a um trabalho intenso na área da produção, e também graças a um apoio financeiro do MC para a nossa actividade anual em 2002, foi possível fixar um estrutura de 3 elementos (eu próprio, a Estela Lopes e a Marta Alves), estrutura que se mantém activa em permanência desde então - o ideal seria sermos pelo menos mais 2 ou 3 mas até a ver não houve condições financeiras porque recursos humanos talentosos e dedicados não têm faltado. Para além dos permanentes, todos os anos temos contratado pontualmente cerca de uma dezena de colaboradores em diversas áreas.

Nos últimos anos temos feito uma média de 90 apresentações por ano

(109 em 2006). Quem se dignou a ir ver as nossas últimas produções no

Museu de Física (Eureka em 2005 e Physicomic em 2006) ficou agradavelmente surpreendido com a qualidade do nosso trabalho, e na verdade apesar do público em geral que tem ido ver os nossos espectáculos ser bastante reduzido (até colegas de trabalho é raro aparecerem) este tem vindo a crescer substancialmente. E este facto deve-se, estamos certos, à qualidade das propostas. À divulgação, escassa porque o dinheiro também escasseia, não será certamente. À excelência das infra-estruturas também não é com certeza, se estamos a trabalhar no Museu de Física (um espaço exíguo para a apresentação de espectáculos, mas em que apesar de tudo conseguimos criar espectáculos de qualidade que muito agradaram ao público de todas as idades, um espaço que não possui sala de espectáculos mas em que apesar de tudo temos muito mais público do que tínhamos no Inatel), pois se estamos a trabalhar neste espaço é tão-somente porque eles nos convidaram para tal, abriram-nos as portas quando todos os outros não quiseram saber, acreditaram e empenharam-se desde logo no nosso projecto. E pelos vistos, foi uma aposta ganha, pois o número de visitantes do Museu mais que triplicou no espaço de alguns meses.

É engraçado constatar que um dos projectos que acima referi, o espectáculo "Eureka" não obteve apoio do MC sob pretexto de que o espaço (O Anfiteatro do Museu de Física) não oferecia condições. A verdade é que apesar da falta de apoio o projecto foi em frente, e foi um sucesso, tendo feito desde Novembro 2005, 82 apresentações (em

Coimbra e em muitos outros locais do país, chegando mesmo a passar pelos Açores) e como muitos outros projectos do grupo, o espectáculo continua em carteira.

Enfim poderia contar muitos outros casos destes, até porque em 2006, vimos novamente negado apoio a dois dos nossos projectos pelo MC, e mais uma vez com argumentos completamente absurdos, quando outros projectos de grupos compostos essencialmente por pessoas que não sededicam profissionalmente à actividade artística, ou pelo menos que não a desenvolvem de forma exclusiva, esses sim são apoiados. Se esses projectos mostrassem verdadeiro dinamismo, eu calava-me e não vinha para aqui falar disto, mas depois é o que se vê, recebem subsídios chorudos, apresentam meia-dúzia de espectáculos e arrumam os trapos...

Irão apontar-me que divago muito, que isto já parece um testamento, e que afinal de contas isto não é para aqui chamado, mas infelizmente tem tudo a ver, pois mais uma vez, se somos confrontados com uma situação deste tipo, isso tem tudo a ver com Coimbra – indirectamente tem a ver com a apatia das forças vivas desta cidade, que promove não o encontro entre as pessoas, não a união por causas comuns, mas antes o secretismo, o compadrio, o individualismo; e directamente tem tudo a ver com Coimbra porque resulta precisamente de uma situação de compadrio (apesar de ser uma decisão do MC, bem sabemos que essa decisão foi tomada cá em Coimbra, e se não conheces verdadeiramente os projectos porque nunca sequer te dignaste a ir ver, sabes como é, o apoio vai para os amigos...). É assim nesta pequena aldeia que é Coimbra. O Zeca já muito falava do provincianismo do lugar...

E no fim disto tudo, com os dados estatísticos que estamos fartos de enviar tanto para a Câmara como para a comunicação social, vem o

Encarnação arrogando-se o direito, quando confrontado com as dívidas da CMC aos agentes culturais, de afirmar que a Encerrado para Obras não é profissional. Falta de profissionalismo é certamente a dele, das duas uma, ou por não conhecer as realidades da cidade que governa, ou porque realmente tem um agenda escondida onde estão estipulados outros objectivos, que passam não pelo apoio à arte, mas sim pela sua asfixia. E quando as coisas se começam a asfixiar a si próprias então aí as coisas podem estar mesmo perdidas.

Se o estão ou não, não sei, mas pela minha parte, e posso afirmar o mesmo em relação aos restantes membros da Encerrado para Obras, diremos o que teremos a dizer sem medos. E fá-lo-emos sem guardar qualquer tipo de rancor pois é certo e sabido que isso faz mal àsaúde.

E continuaremos a trabalhar, sempre em frente, sem vacilar (enfim, atéque as pernas o permitam...). E continuaremos abertos a todo o tipo de parcerias, de colaborações, de novos encontros e novas ideias...

E por esse motivo, aproveitamos a oportunidade proporcionada por este

blog para lançarmos aqui um desafio aos agentes culturais desta cidade: para quando a criação de um movimento sério de contestação à política (ou falta dela) da CMC para a área cultural? Enfim não é nada de novo mas também nunca é demais insistir nestas coisas. Nós estamos prontos para a luta quando quiserem, sabemos que juntos teremos mais força e todos os meios de contestação, desde que pacíficos são válidos, o que interessa é desassossegar não é?

P.S. No próximo sábado 3 de Março, pelas 16h30 estreamos nova produção

- Chama-se "Sol e Lóquio", e estará em cena em Março numa tenda montada no Pátio do Departamento de Ciências da Terra (a entrada para o espectáculo é junto à porta da Sé-Nova, 1ª porta à direita). Para o público em geral é sempre aos sábados, pelas 16h30. Estão todos convidados a aparecer, para além de assistirem ao espectáculo, poderemos falar das possíveis formas de luta, e também das possíveis formas de festa... Enfim, apareçam, ficaremos bem contentes, e pensamos que também gostarão.

Um abraço fraterno para todos,

David Cruz (Encerrado para Obras)

P.S.nº2. Encerrado para Obras, mas aberto ao público, como sempre...

(Fotos TATI)

domingo, fevereiro 25, 2007

E mais uma vez, a memória.

E mais uma vez, a memória. Aqui bem ao lado do centro nefrálgico do DC/blog, um vídeo inédito do boitata que junta em dueto o Becas, o fadista mencionado atrás pelo meu Amigo fotografo, e Vitorino. Memoráveis, a sentir Zeca Afonso.
Não é até para o ano Zeca, é até já!

Fila K Cineclube denuncia

Razões para uma Denúncia.
Fui várias vezes tentado em participar no blog Denuncia Coimbrã.
Umas vezes em resposta a um desafio do seu principal mentor, outras motivado pela oportunidade dos seus textos e outras tantas ainda pelas enormes dificuldades que há quase 5 anos temos tido para criar um simples Cineclube numa cidade que se diz do Conhecimento.
Mas em todas elas resisto ou desisto, questionando-me:
Valerá a pena? Para quê?
As pessoas, sobre as quais tantas e tantas vezes se referem as denúncias, não foram eleitas pelo Povo e por duas vezes?
De quem é a culpa? Não será de todos e não de ninguém em particular?
Mas agora um valor mais alto se levantou e que despertou em mim um sentimento estranho e pesado (estranho porque é um misto de revolta e indignação, mas também de pena e de infelicidade, pois “as coisas são como são”, “cada Povo tem os políticos que merece”, etc.), que foi o artigo neste blog, “ZECA, COIMBRA ESQUECEU-TE!”.
Este sentimento estranho e pesado é demasiado triste e corresponde, no meu ponto de vista, a um estado de alma letárgico e abandonado.
Nesta altura e 20 anos depois da sua morte, o Zeca Afonso é demasiado importante para ter sido esquecido. Precisamos dele, do seu idealismo e do seu sonho.
Faço minhas as palavras de alguém que dizia, não sou optimista nem pessimista, sou realista. E, neste sentido, o que vejo? Vejo uma sociedade cada vez mais materialista e, sem que o Povo se aperceba (porque normalmente é desatento e reage tarde), a caminho de um liberalismo extremado em que muito poucos mandam
em muitos. Sejam os Governantes da Esquerda ou da Direita, é o primado da Economia sobre a Política que mais interessa e que é valorizado.
Mas os Políticos fazem o que for mais conveniente em cada momento para que sejam reeleitos e se mantenham no Poder, porque é essa a sua natureza (conhecem a fábula do Escorpião?).
Em Coimbra devia-se ter construído um Estádio de futebol ou um Centro Cultural? A utilização dos dinheiros públicos deve ou não ser orientada no sentido do gosto comum?
Portanto, a questão está precisamente na capacidade que tiver um determinado Político em querer governar para o Povo indo ao encontro do desejo de uma maioria, como lhe compete, mas, simultaneamente, ter a arte e o engenho de não esquecer aquela imensa minoria que é a que tem a força para criar uma ideia de romance, de beleza, de espiritualidade e que não esquece a ideologia.
Quantos são capazes de o fazer?
É por tudo isto que o esquecimento do Zeca Afonso por parte dos vários grupos, associações, políticos e demais instituições da cidade de Coimbra, é grave, muito grave. Vejam o que a determinada altura se pergunta no texto: “Então CMC? Então GEFAC? Então Secção de Fado? Então Ateneu? Então TAGV? Então…? Então essa memoria, essa gratidão?
É neste contexto, sobre esta letargia, sobre a falta de solidariedade entre os promotores culturais e sem que aquela imensa minoria tenha a possibilidade de intervir na sociedade de Coimbra que, no meu ponto de vista, deve ser feita a sua Denúncia.
Mas, a minha Geração é hoje a Geração do Poder.
Daí que sinta que também eu e tal como cada um de nós individualmente, temos responsabilidades no que está mal e no que deve ser mudado. Da minha parte, vai continuar a haver acção, em vez da crítica fácil, vai continuar a haver empenho e solidariedade, em vez de isolamento e vaidade.
Porque batemos no mais fundo dos oceanos, não é razão para deitarmos a toalha ao chão. O Zeca Afonso, se estivesse vivo, iria continuar a cantar contra isso e afinal não foi essa a principal mensagem que nos deixou?
Paulo Fonseca
Fila K Cineclube

sábado, fevereiro 24, 2007

Zeca, Coimbra esqueceu-te!

“A ingratidão é o mais horrendo de todos os pecados”. Alexandre Herculano disse, nós subscrevemos. Não há conimbricense que não se envaideça quando Zeca Afonso é falado. Não há dúvidas quanto à influência que a cidade teve no Trovador. Não há dúvidas quanto à influência que o Trovador teve sobre a cidade. Como não existem dúvidas que a cidade e o Trovador tiveram influência nos gritos para a liberdade.
A nossa duvida é: porque é que a cidade de Coimbra se esqueceu dele no vigésimo aniversário da sua morte? Ninguém fez nada? (A não ser; uma jantarada do Movimento de Apoio ao Sim, que resolveu comemorar e falar do Zeca, e uma tertúlia que a Livraria Almedina Estádio realiza hoje).
Mas, nenhum espectáculo? Nada?
Então CMC? Então GEFAC? Então Secção de Fado? Então Ateneu? Então TAGV? Então…? Então essa memoria, essa gratidão?

Aveiro, Faro, Figueira da Foz, Guarda, Guimarães, Lisboa, Maia, Moita, Odivelas, Ovar e Porto foram as cidades que fizerem coisas.

Coimbra, Nestum com mel e muita pantufinha calçada!

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

O relato de um fotógrafo Amigo














“Sei apenas que fui o último a fotografá-lo... já sem vida... estavam em Setúbal à espera que a camioneta de Coimbra, com estudantes e quem mais quis ir. O Becas, eu levei o Becas que era puto e que tão bem cantava e canta o Zeca. Foi de cortar à faca aqueles momentos em que lá entrámos. As lágrimas saíam. Estavam à espera de Coimbra... só depois fecharam o caixão e depois seguiu-se para a rua e foi SEMPRE tudo a cantar como o Zeca fez questão de dizer que queria.

O povo é quem mais ordena... mas está esquecido... não é para esquecer ou silenciar, é para gritar”.

Sem uma palavra ao Zeca a Denúncia não pode ficar














Era nas palavras e na acção vertical que este homem abordava os algozes. Também ele nos preveniu dos tempos vindouros, tempos esses actuais, nossos, em que metemos a cabeça na guilhotina dos interesses. Fantástico como a RTP1 conseguiu colocar um programa dedicado a José Afonso lá para as 2h da matina. Assim se retrata e atira para as calendas do silenciamento. Não fossem as "gerações" despertar. Até sempre!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Fomos criticados publicamente



















Um dos mais prestigiados jornalistas da nossa cidade, Sansão Coelho, criticou o nosso blog na sua coluna semanal “Cultura & Sociedade” no Semanário de Coimbra, O Despertar. É sempre motivo para estímulos acrescidos quando alguém reconhece o nosso trabalho e o testemunha publicamente.

É o sinal, talvez a prova, que o caminho que pretendemos seguir é seguro e sério.

Não queremos fazer parte do TECIDO MUDO existente na cidade. É lamentável o silêncio de muitos, a falta de coragem e a cobardia. Só conseguem (?) contribuir, criticando, quando estão de copo na mão e cheios de argumentos bêbados.

Muitos deles, que em boa hora estimularam a criação deste blog, cedo se renderam ao mutismo, à passividade.

Com eles, ou não, continuaremos enquanto houver coisas a denunciar. Não somos profissionais do blog, nem jornalistas, nem políticos (embora desta forma contribuímos politicamente, mas sem essa de partidos, ok?). Somos um esquadrão de inconformados. Divertimo-nos imenso e rimos o suficiente para continuarmos.

Mabeko, o Kabecilha

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Em jeito de despedida!

















Coimbra – cidade da exumação cultural

(...) puderia dizer sem palavras, mas trata-se de um texto que merece ser lido e divulgado e que, além de tudo mais, que me apanha em sincronia temporal com o autor do texto...

pela minha parte resta dizer que foi um prazer, doloroso muitas vezes,ter vivido e trabalhado nesta cidade, e não é sem alguma amargura que me vou...

aos amigos que ficam um abraço,

afonso

domingo, fevereiro 18, 2007

Coimbra – cidade da exumação cultural














Por exumação entende-se o acto de tirar da terra, de tirar da sepultura. Na cultura da cidade de Coimbra nada mais acontece senão a reprodução do mesmo, a ideia de que só é possível sitiarmo-nos no passado, no que já foi votado à sedimentação arqueológica de se ser digno a toponímia, tal como o Penedo da Saudade é verde, quer dizer, é esperança (de morrermos com vista para um estádio de futebol por pagar, seja dito). A saudade só apela aos mortos porque, na dita “cidade do conhecimento”, são os mortos que têm a vida. Se o Penedo da Saudade são lápides de poetas que foram e que se pretendem imortalizar, é coerente dizer que os futuros jardins da cidade não terão poesias de ninguém. Porquê? Porque hoje, na cultura, antes de ser alguém em Coimbra, todos (ou praticamente todos) migram para poder realizar um projecto cultural.

É sabido que o poder da globalização está na capacidade de afirmação do local. E é também sabido que Coimbra é uma cidade universitária, na auto-estrada do conhecimento. Também é sabido que a cidade é nacionalmente conhecida como uma cidade da bebedeira e da estudantada assim orientada (e conduzida pela “política do conhecimento”). Já não é sabido que todos os anos (desde que Portugal é democrata ou, assim, simpatizante), nesta cidade, praticamente todos os artistas migram, escusando-se de afirmar como possíveis lápides jardinais.

A universidade move a economia pragmática e espiritual da cidade, dá trabalho a muita gente. Parte deles são os agentes de conhecimento que, através do honorário público, têm a missa a seu cargo, em preparar os sempre novos jovens-adultos para a vida activa (como outrora, os missionários), quer dizer, dar-lhes conhecimento para serem pessoas inteligentes e expeditas, científicas e criativas suficientes para produzirem novo conhecimento. Nesse movimento, os jovens-adultos, electrizados pelo ímpeto, envolvem-se em actividades culturais variadas. Muitos deles constroem um currículo paralelo aos estudos. A Associação Académica de Coimbra (AAC) e seus inter-organismos promovem isso mesmo. Assim acontece com a cultura que, como aqui se pretende mostrar, toda a gente a tem, mesmo sem o saber. Porque é desta fonte que quase tudo brota nesta cidade, também é dela que tudo se esvai, não por culpa própria, mas por culpa de todos os responsáveis políticos que determinam o escoamento das águas.

Desde que Coimbra foi Capital Nacional da Cultura (com a maioria dos seus responsáveis e irresponsáveis esquecidos), onde paira a cultura? Vamos por partes:

Nas artes plásticas, comecemos pelo CAPC, porque também surgiu da AAC e porque parece fechado, não se percebendo porquê, sendo ele uma oportunidade da arte contemporânea se abrir na cidade, porque se fechou a si mesmo e porque foi abandonado?; A Secção de Fotografia parece agora reabilitada na AAC, tendo que ser “pró-secção”, porque a antiga (também da AAC) transformou-se no Centro de Artes Visuais, diga-se (apesar do corporativismo), uma oportunidade quase ganha na cidade. Digo “quase ganha” porque lhe falta ser realmente da cidade. Primeiro, porque parece que a cidade (na sua representação política) parece não estar interessada no projecto, uma estrutura de média escala para a arte contemporânea, mesmo que com fortes tendências globalizantes, depois, porque é sabido que não aposta na cultura local para a sua afirmação global indo, parodicamente, ao encontro da tendência municipal que também nada disso pretende; A Casa Municipal da Cultura mais parece um “galinheiro da cultura”, é o que temos para, numa sala sem nobreza fazer aparecer alguns pintores “desesperados” (o que é feito da sala nobre da cidade e que já foi biblioteca municipal?); O Pavilhão Centro de Portugal é um truísmo, quer dizer, o dinheiro tem que ir para algum lado e, se o compraram (depois do estádio), não têm nada para pôr lá dentro; as galerias de arte não existem para a arte contemporânea simplesmente porque nem os médicos, nem os professores universitários a frequentam, nem nunca ninguém será habituado a isso.

Nas artes performativas (teatro, dança, música), todas as associações de teatro emergiram do teatro universitário, e não receberam mais subsídios camarários depois de 2003, exceptuando o atribuído ao ano de 2005 que ainda não foi pago, a não ser para a Escola da Noite e Teatrão_ as únicas companhias que têm um espaço na cidade_ subsídio esse, e bem, atribuído pela primeira vez a partir de regras definidas pela Câmara Municipal (mesmo que nunca tenham sido cumpridas por ela própria, uma vez que nunca respondeu formalmente ao estabelecido nas regras de apoio cultural por ela formadas, contrariando-se a si própria_ pagam os contribuintes). Como se deveria saber, o teatro amador é prioritário na política municipal mas, mesmo aqui, a avaliar pelos programas das instituições dedicadas ao teatro, apesar de parte delas terem no seu programa acções que concernem o teatro amador, não têm subsídio ou apoio da Câmara Municipal (excepção feita ao Bonifrates e ao Grupo de Teatro Amador de Taveiro_ todos os outros: “chapéu”); O Teatro da Cerca de São Bernardo quanto custou? É que já está pronto e não existe, já tem cadeiras da bancada de público estragadas e está vazio, mesmo antes de estrear o quer que seja_ a não ser que contem para este investimento as festas de natal da Câmara Municipal. É novo e já é ruína. Pagam os contribuintes;

A Oficina Municipal do Teatro alberga as duas companhias de teatro hegemónicas da cidade e que apenas serve para isso, para as manter unicamente hegemónicas e únicas candidatas à lápide em algum novo Penedo (talvez, o da Conchada); Fez-se uma escola de teatro numa Escola Superior de Educação, alarga-se a formação teatral na cidade para além do teatro universitário, mas não se dá condições para a fixação desses recém formados na cidade (em consonância com a ausência de condições de fixação para as instituições teatrais existentes). Não existem salas-estúdio nem para teatro, nem para dança (a Trampolim era a única associação a dedicada à dança e dissolveu-se à uns anos, com os seus membros a migrarem para outros destinos). O Teatro Académico de Gil Vicente mantém-se o único resistente em promover as artes performativas na cidade, honrando a Universidade de Coimbra mas, também ele, se viu abandonado pelo apoio camarário. Vive, porque os seus responsáveis assumiram a difícil tarefa de não querer sugar apenas os dinheiros das propinas estudantis, e espera-se que vive para além do abandono que a política da cidade lhe ofereceu. Reinventa-se com as possibilidades que tem.

Quanto à música, para além das bandas Rock que todos conhecem, e que conferem já uma identidade simbólica à cidade, vanglorie-se a Cosa Nostra que, residente por um dia semanal na Via Latina, põe Coimbra no mapa da música electrónica internacional. Agora, parece, também o Ar de Rato alberga, por um dia semanal, uma programação para o Rock. Não se trata de fazer publicidade aos espaços, trata-se de tornar visível o trabalho que pessoas alheias a esses espaços estão a fazer pela cidade. Tal como no teatro, na música, são apenas resistentes que ficam, masoquistas que não têm nenhum chicote sobre eles mas que, sem eles mas com chicote, nada aconteceria nesta cidade. Todos os outros partiram, não por não serem de cá, por apenas cá ter estudado, mas porque não existe uma política que promova a sua acção/formação fixada, em ordem a difundir nos cidadãos a oportunidade de fruição cultural. E nesse sentido, os poucos que são, são heróis. Hoje, deveriam ser tão importantes como as lápides, porque são vivos e podem, assim, colocar Coimbra no mapa.

Falta a Coimbra uma política da cultura consonante com a “cidade do conhecimento”, uma política que esqueça a prioridade das lápides e se arremesse para os jovens-adultos que forma. Falta a Coimbra pequenos estúdios (não se trata, de facto, da “dependência do subsídio”, argumento que faz reagir o eleitorado mais inócuo e pouco esclarecido em relação ao futuro dos seus filhos), mas espaços que promovam a emergência de grupos e pessoas criativas, que permitam a recepção de outros grupos e pessoas europeias, incentivando o intercâmbio (alguém sabe o que quer dizer cidade geminada? Não é claro que a globalização é o poder de afirmação do local?). Falta a Coimbra vontade política para transformar a cidade universitária (que epitomizaram de “cidade do conhecimento”), uma cidade em que a cultura viva é conhecimento. Porque nesta cidade é impossível criar um mercado de trabalho da cultura sem condições que alberguem pessoas, todas elas migram para Lisboa, para o Porto, para Barcelona, ou para onde for possível fazê-lo (conhece-se grandes projectos aqui realizados e, por isso, citados). E que outro património cultural é possível acrescentar senão o das pessoas que aí vivem? Que outro património tangível e intangível é possível acrescentar para além das pessoas vivas?

A cidade da exumação há-de não ter mais razão para existir porque se esvaem os artistas (para não falar dos empresários) que nela nascem, ainda que aqui formados. Também Zeca Afonso foi e, depois dele, actores e actrizes, músicos e programadores, pintores, escultores, e dirigentes associativos que procuravam na cultura a sua existência. Coimbra é cidade universitária e sempre o será, forma pessoas e dá-lhes o apetite cultural da formação, contrariando a imagem de Coimbra, “cidade da bebedeira”. Contudo, sabe a cidade enxotá-los, antes mesmo de os acabar de formar, pela sua imbecilidade em traduzir educação em sociedade ou, formação em cidadania. Parece que os governantes da cidade estão realmente interessados em fazer crer que “conhecimento” é “bebedeira”. É justamente por isso que este texto surge.

Os artistas que estão e se afirmam de Coimbra são uns heróis mas não esperam a exumação, são marginais da proliferação de grandes superfícies comerciais que se sobrepõem a projectos de shoppings, ou lojas, em cima de teatros que podiam continuar a adaptar-se à ideia de cidade da cultura, para afirmar o local, quiçá, global. Agora, já existem centros comerciais que foram teatros e que, ambos, faliram. Se os últimos foram por mão da Câmara Municipal (executivo anterior), os primeiros são das leis do mercado. O Avenida (teatro e shopping) faliu. Sugiro que se faça do espaço um museu zoológico, melhor, um museu de lápides dos génios que governam esta cidade (não necessita de alteração nenhuma, arquitectónica ou sociológica), continuará a ser um projecto falhado de reinvenção, como a cidade começa a ficar conhecida em termos culturais, económicos, sociais...

Coimbra é a cidade da exumação, da desterritorialização, de deixar de ser espaço de afirmação cultural (nem os ranchos folclóricos ou filarmónicas resistirão), uma cidade perdida no conhecimento (até a universidade, em muitas dimensões, se vê inapta). Coimbra, no futuro, para exumar, só mesmo o cimento, com placas alegóricas ao seu desaparecimento. Como a maioria das pessoas que se esforçam culturalmente, bye bye Aeminium, bye bye Coimbra, também eu me vou.

Ricardo Pankkas

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Não, não é uma partida de Carnaval.

Não, não é uma partida de Carnaval. È um artista conimbricense numa performance digna de se ver. O seu trabalho de língua, em Ibiza, deixa-nos perplexos. Grande Homem da Aranha.
http://www.youtube.com/watch?v=VXHr8Xr8uRg

Grande actor



















“Quem vai ao teatro?”, pergunta ele do alto da sua tribuna. Já é mais que conhecido que o Diário As Beiras é um dos nossos jornais referencia. E as opiniões semanais de Mário Nunes, como Vereador da Cultura, são as certezas de toda a sua nulidade. A do vereador, entenda-se.
Depois de nas vésperas o outro jornal diário da cidade ter puxado a manchete de primeira pagina a falta de verba (€ 1200) da CMC para o projecto “Tchékhov, em um acto”, eis que Mário Nunes parece dar resposta no seu artigo de opinião, n´As Beiras.
A sua dissertação e argumentos sobre os públicos de teatro merecem uma cuidada reflexão. Leiam e tirem conclusões.
A nossa análise vai mais longe. Porque é que o vereador personaliza a identidade de alguns actores? Porque não se refere a todos no geral? Porque particulariza a sua mensagem? É para criar ainda mais distância e separação entre os criadores da cidade? É para conseguir aliados, sr vereador? Julgo que não vão longe, os seus intentos.

Curiosidade: Mário Nunes refere no seu artigo a peça do “Teatro em Movimento”, que foi no IPJ porque o TAGV censurou.

Denúncia Coimbrã: Assim...SIM!

Den�ncia Coimbr�: Assim...SIM!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Assim...SIM!

















Lídia Pereira, do Diário As Beiras, talvez seja a jornalista que mais tem acompanhado os assuntos relativos à cultura da nossa cidade. Portanto, toda a sua opinião é alicerçada no testemunho in loco da realidade coimbrã. Leiam atentamente a opinião que tem sobre a inércia da CMC, face aos problemas na área da cultura. Manifesta-se preocupada e com falta de paciência. Nós também!

A coragem tem sempre uma utilidade. Obrigado Lídia.

Os miseráveis










O termo amador e profissional, nas actividades artísticas, é sempre razão para uma indesejável separação e afastamento. Contrariando essa estúpida lógica, a Direcção Regional da Cultura do Centro (DRCC/MC) estimulou uma companhia de teatro profissional, a Escola Da Noite, e cinco grupos do “dito” teatro amador a trabalharem juntos.


“Trata-se de um projecto de efectiva formação na área do teatro. Moderno, quanto à dimensão artística, atractivo estrutura formativa e consequente relativamente aos resultados internos e a prazo", considera António Pedro Pita, DRCC/MC.“

Julgamos louvável e visionária, a iniciativa.

Mas, Mário Nunes e a CMC por “dificuldades financeiras” não honraram a sua parceria nesta brilhante iniciativa. A CMC não dispõe de € 1 200 (sim, mil e duzentos euros) para poder pagar 4 espectáculos, que bem os podia oferecer aos seus funcionários.

Miserável a atitude, não?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Será do Álvaro?
















Na era da tecnologia móvel o que fazem estas esculturas obsoletas plantadas à beira rio, junto à Estação Nova? Será de algum escultor conhecido? Será do Álvaro?

domingo, fevereiro 11, 2007

Banco procura para arrendar














É sabido que os anúncios, nas caixas multibancos, são pagos. Enquanto fazemos as nossas transacções levamos constantemente com publicidade, paga a peso de ouro para quem aproveita este meio para divulgar o seu produto.

O preço é tão alto que os próprios bancos subvertem as suas próprias regras. Na Av. Sá da Bandeira está afixado este anúncio: “Banco procura arrendar ou compra loja 120 a 170 m2 bem localizada”. Se tiver alguma, diga que vai da nossa parte.

sábado, fevereiro 10, 2007

O Terreiro da Erva

Um abaixo-assinado está a circular entre os moradores e comerciantes do Terreiro da Erva com a finalidade de requerem mais policiamento para a zona. O motivo é a falta de segurança existente no local e que ultimamente tem originado focos de violência.
O documento será enviado ao Governador Civil de Coimbra.
Alguns moradores do Terreiro da Erva acusam a população toxicodependente, apoiada pela Cáritas Diocesana, de ser os principais causadores dos assaltos, ameaças constantes e arremesso de pedras contra automóveis.
“Os meus netos não podem brincar aqui porque aparecem seringas no chão”, acusa um morador.


















Fotografias de Paulo Abrantes

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Aluga-se T0 nas Químicas
























O postal ilustrado de uma cidade que quis ser Capital Europeia da Cultura. Bem no centro da Universidade, na cave das Químicas / Auditório da Reitoria, qualquer vão de escada é facilmente adaptável ás novas tendências arquitectónicas dos sem abrigo. Não queremos que esta denúncia sirva para pontapearem de lá as pessoas, mas sim que a segurança social (e a Universidade?) olhem para estas necessidades e as façam cobro.



















Fotografias_Repórter Espião

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

"PCP" ás moscas


















Pavilhão Centro de Portugal ás moscas. Numa visita que fizemos, ao afamado Pv. Centro Portugal (PCP), fomos informados que não havia nenhuma exposição. Sem questionarmos nada a (simpática e educada) funcionária informou-nos que, embora o PCP seja tutelado pela CMC / Dep. Cultura, a programação é feita no Porto, em Serralves. Adiantou-nos também que ainda não tinham, de Serralves, a programação para 2007.
É curioso ver uma área de 1375 metros quadrados entregues ao vazio. Como ridículo é saber as respostas cliché da CMC – “falta de espaços”. É sistemática a resposta. É frequente a estupidez e os “enlatados” de Serralves. Desta vez…nem isso!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

A pagar

























Jardim Botânico a pagar. Acabaram-se os doces beijos a contemplar a natureza. Não há dinheiro para pagar tanta despesa. Cerca de 90% do encaixe financeiro do estado, que o Jardim Botânico recebe, é para pagar a funcionários e despesas correntes.
Querem natureza? Paguem!

sábado, fevereiro 03, 2007

Repórter espião

























O voo rasteiro do repórter espião. Revelou-nos que não era dr nem bebia copos com intelectuais. Anda sempre com a máquina discreta e quando encontra motivo de denúncia…click, está a enviar rapidamente para o Denúncia Coimbrã. Estes gestos de cidadania são sempre bem vindos e publicáveis.


























Parque Manuel Braga

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

O que ele sabe...


















O que este lustroso cérebro sabe. Estamos espantados e maravilhados em saber que o Santo António de Coimbra foi soldado raso em Lagos. Temos um enorme orgulho em saber que temos um vereador da cultura que tanto sabe do passado. Mas, perdemos logo essa vaidade quando esse vereador desconhece o presente. E o que se passa é que há muitas pessoas que estão atravessar momentos terríveis de sobrevivência graças à falta de palavra e seriedade do vereador, e de todos aqueles que lhe dão protecção.

Valha-nos Santo António. O de Coimbra e que foi soldado raso em Lagos.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Atelantes?









Estas cenas dos erros até são úteis. Nem que seja para estarmos mais atentos. E foi a atenção que nos pôs a pensar qual seria o significado de “Atelante”. Foi aí que descobrimos o erro. Não é atelantes. Mas sim, atlantes.

do Lat. Atlante, n. pr.
s. m.,
Titã mitológico que sustentava na nuca a abóbada celeste (grafado com inicial maiúscula);
figura de homem que sustenta cornija, esfera, etc. ;

fig.,
pessoa que tem a seu cargo negócios graves;
sustentáculo.

Os nossos Eros. Desculpem, Erros.

Confessamos que a ansiedade inerente ao acto de denunciar faz, por vezes, com que aquilo que pensamos escrever não seja exactamente o que transpomos para o teclado. Gera uma disfunção ortográfica. As nossas desculpas pelo mau português. É que numa cidade com tantos drs, estudantes e intelectuais presunçosos, um erro ortográfico pode merecer linchamento (intelectual) público. Estamos conscientes que não ambicionamos o prémio Pulitzer nem queremos substituir os jornalistas da nossa terra. Reconhecemos as nossas limitações linguísticas mas preferimos, de longe, o erro ortográfico à passividade dos senhores (as) que sabem tudo mas não sabem que o maior erro é ser inútil. Ineficaz. Permissivo. Improdutivo.

Quem detectar um erro ou uma má construção de frase, envie-nos a correcção. Assim, aprendemos todos. Temos humildade em conhecer e melhorar. Mas, também consideramos que os que julgam o erro ortográfico mais significativo do que a causa que o levou a cometer, acarretam em si um vazio incomensurável.