Debates, como promoveu o Grupo da Cultura do Conselho da Cidade, só servem para tirar uma conclusão: este formato de “dialogo” está esgotado. Problemas complexos, como o da cultura em Coimbra, não podem ser resolvidos com tempo contado. Ou se forem, pelo menos, que seja igual para todos. Sugiro umas jornadas sérias. Com tempo. Onde todos possam expôr as suas dificuldades e, ENTRE TODOS, procurar resolver os problemas uns dos outros. Pode parecer utópico. Exemplos de países vizinhos demonstram, e provam, que essa utopia é real.
Coimbra, culturalmente, parece um enorme e alienado Rasganço. Toda a gente rasga a capa (cultural e negra, entenda-se) para ficar com o seu bocadindo. No contexto estudantil, entendo. Culturalmente, não aceito. O ritual é violento, desorganizado, cada um pensa no seu bocado e o outro...que pense da mesma forma.
Em Coimbra, os artistas estão desunidos. Em Coimbra, há “artistas” que se julgam mais artistas que os outros. Em Coimbra, salvo raros casos, os agentes artísticos não respeitam os outros. Quase todos defendem que a sua “arte” é melhor que as dos restantes. Por isso, merecem mais.
Em Coimbra, a distancia entre as palmadinhas e as facadas pelas costas - é nula. Há pouca autenticidade e alguma desonestidade intelectual.
Em Coimbra, os “artistas” silenciam as suas “eurekas artísticas”. Não falam, não comunicam e quando vão a ver, vão faze-las ao mesmo tempo. Em Coimbra, ou tudo ou nada. Não existe um planeamento que possa, pelo menos, criar rotina nos tais “novos públicos” - que tanto ambicionam.
Falar em públicos, não vejo muitos agentes artísticos a trabalharem com, ou para, grupos mais “desfavorecidos culturalmente”. Não vejo (muitos) artistas a trabalharem com pessoas com necessidades especiais (ditos deficientes) e idosos. Além dos outros, julgo que “esses” são muito bem vindos. Mas, são sempre esquecidos. Porquê? É menos arte faze-la para estes públicos? È menos arte lembrarmo-nos daqueles que também têm direito? É desprestigiante trabalhar com “deficientes”? Com "velhos"?
Em Coimbra, na cidade do Conhecimento, há muitos significados para os conceitos - de arte. Pior, uma grande falta de respeito com as diferenças.
Em Coimbra, as instituições culturais, muitas vezes, não se coordenam. Não comunicam, não procuram fundos em conjunto, não concentram energias colectivas.
Ao mesmo tempo, em Coimbra, exitem excelentes propostas artísticas. Há agentes culturais que elevam o bom nome da cidade. Há coisas que só se organizam aqui, de elevada qualidade.
Por isso, urge enterrar “machados de guerra”. Entre todos. Só com união conseguem debater com Carlos Encarnação.
Ficou claro, neste “debate”, que a cultura está entregue ao presidente da CMC. Mário Nunes não “pesca nada”, faz o que o presidente diz, nem foi lembrado neste encontro. E, estava lá!
Carlos Encarnação é um dos melhores políticos portugueses. No verdadeiro sentido da palavra. Para o bem e para o mal. É hirto. Frio QB. Decisivo. Tipo fuga para a frente e com um humor que desconcerta qualquer inimigo. Carlos Encarnação sabe onde pisa e conhece algumas "ostentações culturais". Sente a “grande desunião” e sabe que o inimigo está frágil, fragmentado. Sabe e acredita que vence, a prova é visivel e não há criatividade que o derrube.
É culpado pela situação, mas não o único. A reflexão e a acção tem de ser geral. No fundo, o problema de todos é o mesmo: não terem condições para criar.
Paulo Abrantes