quarta-feira, março 07, 2007

Lusitanea banhada?














Irregularidades financeiras detectadas, por uma auditoria independente solicitada pela CCDRC, à campanha “Lusitanea” que a Associação para o Desenvolvimento do Turismo da Região Centro (ADTREC) organizou durante o Euro 2004.

Falta de recibos justificativos de despesas e de documentos de garantias bancárias, ausência de concursos públicos e adjudicação de iniciativas por consulta própria podem levar à devolução de 2 milhões de euros. Esta campanha custou mais de 5,4 milhões de euros. Ainda não se sabe se é banhada, ou não. Que tal um referendo?

segunda-feira, março 05, 2007

Denúncia Coimbrã a 60 dias

Dois meses. 60 Dias. Exactamente o tempo que um blog necessita para se afirmar. Dizem os meus amigos blogonautas convictos. É essa a nossa existência. Cerca de 80 postagens e mais de 60 comentários (apenas 4 recusados, porque para mal dispostos já basta o Kabecilha e dissertações sem nexo, ou sexo, não são aceites). Uma média de 70 visitas diárias. De um universo razoável de endereços só apenas 5 pediram para não receberem os mails de atenção ás novas postagens. Cinco pessoas que não têm mais nada que fazer, pois quem não quer ler o mail tem 2 soluções: ou bloqueia o endereço remetente ou faz KLIK..DELETE. É simples. Quem se dá ao luxo de pedir tal direito é porque tem a necessidade de partilhar a sua imbecilidade. Recebemos centenas de mails diários, filtramos, os que não interessam vão para o lixo. Se fossemos pedir tal direito a todos não fazíamos mais nada, como os imbecis. Em relação à lista de mails, esclarecemos que não compramos base de dados nem somos adivinhos. Se os temos é porque houve comunicação e cruzamento de dados com alguns dos nossos colaboradores. Estamos todos em rede, não esqueçam. E temos provas que não somos SPAM.
Não nos alargamos em balanços, estamos para continuar porque nos divertimos imenso. Rimos em rede. E na rede, como fora dela, sabemos que somos acarinhados por uns e odiados por outros. O costume. Sabemos que a “inveja é a arma dos incompetentes”.

sábado, março 03, 2007

TAGV não paga a colaboradores



























Os 21 assistentes de sala, funcionários das bilheteiras e porteiros gerais do Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) protestaram, ontem à noite, pelo atraso dos vencimentos. O pagamento de salários está em atraso três meses. O protesto simbólico foi realizado por ocasião do espectáculo inaugural da IX Semana Cultural da Universidade de Coimbra - um espectáculo de dança contemporânea da companhia de Olga Roriz, intitulado "Daqui em Diante".

"Pretendemos chamar a atenção dos espectadores para a nossa situação, não é objectivo prejudicar o teatro nem as pessoas que aqui trabalham", referiu Marisa Borges, porta-voz dos colaboradores do TAGV que realizaram o protesto.

O director do TAGV, Manuel Portela, refere num comunicado à imprensa, que a direcção "em reunião havida hoje na administração da Universidade de Coimbra, tem a garantia de que os meses em atraso serão processados já na próxima semana".

"A direcção do TAGV reconhece a inteira justiça do protesto e tudo fará para que os motivos que estão na sua base não voltem a ocorrer", promete ainda Manuel Portela que explica a situação com a falta de apoios para o funcionamento da instituição. "Os anos de 2005 e 2006 foram anos de expectativas goradas para o Teatro Académico de Gil Vicente. Nem o Ministério da Cultura, nem a Câmara Municipal de Coimbra reconheceram e apoiaram condignamente o serviço público prestado pelo Teatro", denuncia o director.

O TAGV "tem sido negativamente discriminado" e que a discriminação negativa "decorre não apenas do seu enquadramento jurídico peculiar mas da evidente falta de visão dos responsáveis políticos locais e nacionais no que diz respeito ao financiamento de uma instituição desta natureza", conclui o director.

sexta-feira, março 02, 2007

O périplo do sábio

















Depois do teatro, o senhor foi ao cinema. Anda no terreno e a analise do que vê é estonteantemente estúpido. Palavras do senhor: “Não temos números, mas pela nossa ida àquelas salas -(referia-se ao Dolce Vita e Fórum)- verificamos que os nomes dos realizadores, os títulos, os conteúdos e a publicidade dos filmes são responsáveis pela afluência, enquanto que as que fecharam (definitiva o Gira, segundo dizem, e definitiva ou temporariamente o Avenida), a qualidade das películas (leia-se técnica e conteúdo) baixara, associada à diminuição dos espectadores”.

Se bem percebemos tamanha imbecilidade, o senhor tira umas conclusões bizarras.

È sabido que o Avenida estava apostar numa programação com qualidade alternativa, fugindo assim ao mainstream das outras salas. Tinha, em colaboração com a Alliance Française, mostras de cinema francês. Se o senhor questiona a qualidade do cinema Francês, então o senhor é néscio. O que matou o Avenida não foi a qualidade das películas, senhor.

O senhor enaltece os Caminhos do Cinema Português (e muito bem) e “Cinemania” que a CMC organiza. Curioso o esquecimento que faz ao FilaKCineclube, que a CMC apoia.

Meu senhor, nessa viagem que anda a fazer pelas várias expressões artísticas, aqui o Mabeko - o Kabecilha - está mortinho para que fale da fotografia em Coimbra.

Venha dai essa sapiência que há aqui umas contas a ajustar.

Desprotecção













Susana Lobo, uma das mais interessantes arquitectas conimbricenses da nova geração, entregou ao IPPAR, no início de Fevereiro, um pedido de classificação do conjunto que compõe o Edifício da AAC. Documento que deverá ser anexo ao processo de classificação que aquele instituto tem já em curso. A par desse documento, uma preocupação. O painel de azulejos desenhados por Abel Manta está “no meio de contentores e materiais de construção das obras do Edifício das Caldeiras, sem qualquer tipo de protecção”, alertou, na altura, a arquitecta. A situação mantém-se, desde então.

O processo de candidatura de classificação, argumentou Susana Lobo, obriga, por lei, a que se tomem determinadas medidas de preservação, medidas estas que poderão não estar a ser respeitadas, nomeadamente no que diz respeito à obra de Abel Manta.


quinta-feira, março 01, 2007

Fumo sem fogo?













Já é uma imagem habitual por quem lá passa. Fumo negro a sair de uma chaminé da Faculdade de Letras. Muitos se interrogam sobre a origem de tal fumaça, nós também.
Cérebros a arder, livros a queimar ou um novo Papa virá ai?

terça-feira, fevereiro 27, 2007

"Encerrado para Obras" denuncia...

















De facto, eu concordo com tudo o que foi dito pelo Pankas. A análise clara e exaustiva dos espaços culturais existentes na cidade não deixa margem para dúvidas: os políticos locais não querem apoiar a cultura, querem é acabar com ela. Porquê? Bem isso é outra questão que nos daria certamente pano para mangas...

Em todo o caso, só não concordará com esta leitura quem realmente não quiser ver os factos - quem tiver dúvidas, eu sugiro que venha passar uns dias connosco (com a companhia de teatro Encerrado para Obras).

Será bem-vindo e poderá ver com os seus próprios olhos em que condições nós trabalhamos árdua e alegremente apesar das precariedades. Só para que fiquem minimamente esclarecidos, eis uma súmula do nosso historial:

A companhia foi criada por 3 profissionais de teatro em 1995, tendo desde então criado 22 produções de teatro e música. Nos primeiros anos, a actividade da companhia não era permanente, as pessoas eram todas profissionais das artes do espectáculo mas como não havia meios na Encerrado para Obras, éramos obrigados a trabalhar com outros projectos, mesmo com aqueles que eram para nós altamente questionáveis. Da equipa inicial, só resto eu próprio, os outros procuraram outras paragens. A verdade é que graças a um trabalho intenso na área da produção, e também graças a um apoio financeiro do MC para a nossa actividade anual em 2002, foi possível fixar um estrutura de 3 elementos (eu próprio, a Estela Lopes e a Marta Alves), estrutura que se mantém activa em permanência desde então - o ideal seria sermos pelo menos mais 2 ou 3 mas até a ver não houve condições financeiras porque recursos humanos talentosos e dedicados não têm faltado. Para além dos permanentes, todos os anos temos contratado pontualmente cerca de uma dezena de colaboradores em diversas áreas.

Nos últimos anos temos feito uma média de 90 apresentações por ano

(109 em 2006). Quem se dignou a ir ver as nossas últimas produções no

Museu de Física (Eureka em 2005 e Physicomic em 2006) ficou agradavelmente surpreendido com a qualidade do nosso trabalho, e na verdade apesar do público em geral que tem ido ver os nossos espectáculos ser bastante reduzido (até colegas de trabalho é raro aparecerem) este tem vindo a crescer substancialmente. E este facto deve-se, estamos certos, à qualidade das propostas. À divulgação, escassa porque o dinheiro também escasseia, não será certamente. À excelência das infra-estruturas também não é com certeza, se estamos a trabalhar no Museu de Física (um espaço exíguo para a apresentação de espectáculos, mas em que apesar de tudo conseguimos criar espectáculos de qualidade que muito agradaram ao público de todas as idades, um espaço que não possui sala de espectáculos mas em que apesar de tudo temos muito mais público do que tínhamos no Inatel), pois se estamos a trabalhar neste espaço é tão-somente porque eles nos convidaram para tal, abriram-nos as portas quando todos os outros não quiseram saber, acreditaram e empenharam-se desde logo no nosso projecto. E pelos vistos, foi uma aposta ganha, pois o número de visitantes do Museu mais que triplicou no espaço de alguns meses.

É engraçado constatar que um dos projectos que acima referi, o espectáculo "Eureka" não obteve apoio do MC sob pretexto de que o espaço (O Anfiteatro do Museu de Física) não oferecia condições. A verdade é que apesar da falta de apoio o projecto foi em frente, e foi um sucesso, tendo feito desde Novembro 2005, 82 apresentações (em

Coimbra e em muitos outros locais do país, chegando mesmo a passar pelos Açores) e como muitos outros projectos do grupo, o espectáculo continua em carteira.

Enfim poderia contar muitos outros casos destes, até porque em 2006, vimos novamente negado apoio a dois dos nossos projectos pelo MC, e mais uma vez com argumentos completamente absurdos, quando outros projectos de grupos compostos essencialmente por pessoas que não sededicam profissionalmente à actividade artística, ou pelo menos que não a desenvolvem de forma exclusiva, esses sim são apoiados. Se esses projectos mostrassem verdadeiro dinamismo, eu calava-me e não vinha para aqui falar disto, mas depois é o que se vê, recebem subsídios chorudos, apresentam meia-dúzia de espectáculos e arrumam os trapos...

Irão apontar-me que divago muito, que isto já parece um testamento, e que afinal de contas isto não é para aqui chamado, mas infelizmente tem tudo a ver, pois mais uma vez, se somos confrontados com uma situação deste tipo, isso tem tudo a ver com Coimbra – indirectamente tem a ver com a apatia das forças vivas desta cidade, que promove não o encontro entre as pessoas, não a união por causas comuns, mas antes o secretismo, o compadrio, o individualismo; e directamente tem tudo a ver com Coimbra porque resulta precisamente de uma situação de compadrio (apesar de ser uma decisão do MC, bem sabemos que essa decisão foi tomada cá em Coimbra, e se não conheces verdadeiramente os projectos porque nunca sequer te dignaste a ir ver, sabes como é, o apoio vai para os amigos...). É assim nesta pequena aldeia que é Coimbra. O Zeca já muito falava do provincianismo do lugar...

E no fim disto tudo, com os dados estatísticos que estamos fartos de enviar tanto para a Câmara como para a comunicação social, vem o

Encarnação arrogando-se o direito, quando confrontado com as dívidas da CMC aos agentes culturais, de afirmar que a Encerrado para Obras não é profissional. Falta de profissionalismo é certamente a dele, das duas uma, ou por não conhecer as realidades da cidade que governa, ou porque realmente tem um agenda escondida onde estão estipulados outros objectivos, que passam não pelo apoio à arte, mas sim pela sua asfixia. E quando as coisas se começam a asfixiar a si próprias então aí as coisas podem estar mesmo perdidas.

Se o estão ou não, não sei, mas pela minha parte, e posso afirmar o mesmo em relação aos restantes membros da Encerrado para Obras, diremos o que teremos a dizer sem medos. E fá-lo-emos sem guardar qualquer tipo de rancor pois é certo e sabido que isso faz mal àsaúde.

E continuaremos a trabalhar, sempre em frente, sem vacilar (enfim, atéque as pernas o permitam...). E continuaremos abertos a todo o tipo de parcerias, de colaborações, de novos encontros e novas ideias...

E por esse motivo, aproveitamos a oportunidade proporcionada por este

blog para lançarmos aqui um desafio aos agentes culturais desta cidade: para quando a criação de um movimento sério de contestação à política (ou falta dela) da CMC para a área cultural? Enfim não é nada de novo mas também nunca é demais insistir nestas coisas. Nós estamos prontos para a luta quando quiserem, sabemos que juntos teremos mais força e todos os meios de contestação, desde que pacíficos são válidos, o que interessa é desassossegar não é?

P.S. No próximo sábado 3 de Março, pelas 16h30 estreamos nova produção

- Chama-se "Sol e Lóquio", e estará em cena em Março numa tenda montada no Pátio do Departamento de Ciências da Terra (a entrada para o espectáculo é junto à porta da Sé-Nova, 1ª porta à direita). Para o público em geral é sempre aos sábados, pelas 16h30. Estão todos convidados a aparecer, para além de assistirem ao espectáculo, poderemos falar das possíveis formas de luta, e também das possíveis formas de festa... Enfim, apareçam, ficaremos bem contentes, e pensamos que também gostarão.

Um abraço fraterno para todos,

David Cruz (Encerrado para Obras)

P.S.nº2. Encerrado para Obras, mas aberto ao público, como sempre...

(Fotos TATI)

domingo, fevereiro 25, 2007

E mais uma vez, a memória.

E mais uma vez, a memória. Aqui bem ao lado do centro nefrálgico do DC/blog, um vídeo inédito do boitata que junta em dueto o Becas, o fadista mencionado atrás pelo meu Amigo fotografo, e Vitorino. Memoráveis, a sentir Zeca Afonso.
Não é até para o ano Zeca, é até já!

Fila K Cineclube denuncia

Razões para uma Denúncia.
Fui várias vezes tentado em participar no blog Denuncia Coimbrã.
Umas vezes em resposta a um desafio do seu principal mentor, outras motivado pela oportunidade dos seus textos e outras tantas ainda pelas enormes dificuldades que há quase 5 anos temos tido para criar um simples Cineclube numa cidade que se diz do Conhecimento.
Mas em todas elas resisto ou desisto, questionando-me:
Valerá a pena? Para quê?
As pessoas, sobre as quais tantas e tantas vezes se referem as denúncias, não foram eleitas pelo Povo e por duas vezes?
De quem é a culpa? Não será de todos e não de ninguém em particular?
Mas agora um valor mais alto se levantou e que despertou em mim um sentimento estranho e pesado (estranho porque é um misto de revolta e indignação, mas também de pena e de infelicidade, pois “as coisas são como são”, “cada Povo tem os políticos que merece”, etc.), que foi o artigo neste blog, “ZECA, COIMBRA ESQUECEU-TE!”.
Este sentimento estranho e pesado é demasiado triste e corresponde, no meu ponto de vista, a um estado de alma letárgico e abandonado.
Nesta altura e 20 anos depois da sua morte, o Zeca Afonso é demasiado importante para ter sido esquecido. Precisamos dele, do seu idealismo e do seu sonho.
Faço minhas as palavras de alguém que dizia, não sou optimista nem pessimista, sou realista. E, neste sentido, o que vejo? Vejo uma sociedade cada vez mais materialista e, sem que o Povo se aperceba (porque normalmente é desatento e reage tarde), a caminho de um liberalismo extremado em que muito poucos mandam
em muitos. Sejam os Governantes da Esquerda ou da Direita, é o primado da Economia sobre a Política que mais interessa e que é valorizado.
Mas os Políticos fazem o que for mais conveniente em cada momento para que sejam reeleitos e se mantenham no Poder, porque é essa a sua natureza (conhecem a fábula do Escorpião?).
Em Coimbra devia-se ter construído um Estádio de futebol ou um Centro Cultural? A utilização dos dinheiros públicos deve ou não ser orientada no sentido do gosto comum?
Portanto, a questão está precisamente na capacidade que tiver um determinado Político em querer governar para o Povo indo ao encontro do desejo de uma maioria, como lhe compete, mas, simultaneamente, ter a arte e o engenho de não esquecer aquela imensa minoria que é a que tem a força para criar uma ideia de romance, de beleza, de espiritualidade e que não esquece a ideologia.
Quantos são capazes de o fazer?
É por tudo isto que o esquecimento do Zeca Afonso por parte dos vários grupos, associações, políticos e demais instituições da cidade de Coimbra, é grave, muito grave. Vejam o que a determinada altura se pergunta no texto: “Então CMC? Então GEFAC? Então Secção de Fado? Então Ateneu? Então TAGV? Então…? Então essa memoria, essa gratidão?
É neste contexto, sobre esta letargia, sobre a falta de solidariedade entre os promotores culturais e sem que aquela imensa minoria tenha a possibilidade de intervir na sociedade de Coimbra que, no meu ponto de vista, deve ser feita a sua Denúncia.
Mas, a minha Geração é hoje a Geração do Poder.
Daí que sinta que também eu e tal como cada um de nós individualmente, temos responsabilidades no que está mal e no que deve ser mudado. Da minha parte, vai continuar a haver acção, em vez da crítica fácil, vai continuar a haver empenho e solidariedade, em vez de isolamento e vaidade.
Porque batemos no mais fundo dos oceanos, não é razão para deitarmos a toalha ao chão. O Zeca Afonso, se estivesse vivo, iria continuar a cantar contra isso e afinal não foi essa a principal mensagem que nos deixou?
Paulo Fonseca
Fila K Cineclube

sábado, fevereiro 24, 2007

Zeca, Coimbra esqueceu-te!

“A ingratidão é o mais horrendo de todos os pecados”. Alexandre Herculano disse, nós subscrevemos. Não há conimbricense que não se envaideça quando Zeca Afonso é falado. Não há dúvidas quanto à influência que a cidade teve no Trovador. Não há dúvidas quanto à influência que o Trovador teve sobre a cidade. Como não existem dúvidas que a cidade e o Trovador tiveram influência nos gritos para a liberdade.
A nossa duvida é: porque é que a cidade de Coimbra se esqueceu dele no vigésimo aniversário da sua morte? Ninguém fez nada? (A não ser; uma jantarada do Movimento de Apoio ao Sim, que resolveu comemorar e falar do Zeca, e uma tertúlia que a Livraria Almedina Estádio realiza hoje).
Mas, nenhum espectáculo? Nada?
Então CMC? Então GEFAC? Então Secção de Fado? Então Ateneu? Então TAGV? Então…? Então essa memoria, essa gratidão?

Aveiro, Faro, Figueira da Foz, Guarda, Guimarães, Lisboa, Maia, Moita, Odivelas, Ovar e Porto foram as cidades que fizerem coisas.

Coimbra, Nestum com mel e muita pantufinha calçada!

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

O relato de um fotógrafo Amigo














“Sei apenas que fui o último a fotografá-lo... já sem vida... estavam em Setúbal à espera que a camioneta de Coimbra, com estudantes e quem mais quis ir. O Becas, eu levei o Becas que era puto e que tão bem cantava e canta o Zeca. Foi de cortar à faca aqueles momentos em que lá entrámos. As lágrimas saíam. Estavam à espera de Coimbra... só depois fecharam o caixão e depois seguiu-se para a rua e foi SEMPRE tudo a cantar como o Zeca fez questão de dizer que queria.

O povo é quem mais ordena... mas está esquecido... não é para esquecer ou silenciar, é para gritar”.

Sem uma palavra ao Zeca a Denúncia não pode ficar














Era nas palavras e na acção vertical que este homem abordava os algozes. Também ele nos preveniu dos tempos vindouros, tempos esses actuais, nossos, em que metemos a cabeça na guilhotina dos interesses. Fantástico como a RTP1 conseguiu colocar um programa dedicado a José Afonso lá para as 2h da matina. Assim se retrata e atira para as calendas do silenciamento. Não fossem as "gerações" despertar. Até sempre!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Fomos criticados publicamente



















Um dos mais prestigiados jornalistas da nossa cidade, Sansão Coelho, criticou o nosso blog na sua coluna semanal “Cultura & Sociedade” no Semanário de Coimbra, O Despertar. É sempre motivo para estímulos acrescidos quando alguém reconhece o nosso trabalho e o testemunha publicamente.

É o sinal, talvez a prova, que o caminho que pretendemos seguir é seguro e sério.

Não queremos fazer parte do TECIDO MUDO existente na cidade. É lamentável o silêncio de muitos, a falta de coragem e a cobardia. Só conseguem (?) contribuir, criticando, quando estão de copo na mão e cheios de argumentos bêbados.

Muitos deles, que em boa hora estimularam a criação deste blog, cedo se renderam ao mutismo, à passividade.

Com eles, ou não, continuaremos enquanto houver coisas a denunciar. Não somos profissionais do blog, nem jornalistas, nem políticos (embora desta forma contribuímos politicamente, mas sem essa de partidos, ok?). Somos um esquadrão de inconformados. Divertimo-nos imenso e rimos o suficiente para continuarmos.

Mabeko, o Kabecilha

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Em jeito de despedida!

















Coimbra – cidade da exumação cultural

(...) puderia dizer sem palavras, mas trata-se de um texto que merece ser lido e divulgado e que, além de tudo mais, que me apanha em sincronia temporal com o autor do texto...

pela minha parte resta dizer que foi um prazer, doloroso muitas vezes,ter vivido e trabalhado nesta cidade, e não é sem alguma amargura que me vou...

aos amigos que ficam um abraço,

afonso

domingo, fevereiro 18, 2007

Coimbra – cidade da exumação cultural














Por exumação entende-se o acto de tirar da terra, de tirar da sepultura. Na cultura da cidade de Coimbra nada mais acontece senão a reprodução do mesmo, a ideia de que só é possível sitiarmo-nos no passado, no que já foi votado à sedimentação arqueológica de se ser digno a toponímia, tal como o Penedo da Saudade é verde, quer dizer, é esperança (de morrermos com vista para um estádio de futebol por pagar, seja dito). A saudade só apela aos mortos porque, na dita “cidade do conhecimento”, são os mortos que têm a vida. Se o Penedo da Saudade são lápides de poetas que foram e que se pretendem imortalizar, é coerente dizer que os futuros jardins da cidade não terão poesias de ninguém. Porquê? Porque hoje, na cultura, antes de ser alguém em Coimbra, todos (ou praticamente todos) migram para poder realizar um projecto cultural.

É sabido que o poder da globalização está na capacidade de afirmação do local. E é também sabido que Coimbra é uma cidade universitária, na auto-estrada do conhecimento. Também é sabido que a cidade é nacionalmente conhecida como uma cidade da bebedeira e da estudantada assim orientada (e conduzida pela “política do conhecimento”). Já não é sabido que todos os anos (desde que Portugal é democrata ou, assim, simpatizante), nesta cidade, praticamente todos os artistas migram, escusando-se de afirmar como possíveis lápides jardinais.

A universidade move a economia pragmática e espiritual da cidade, dá trabalho a muita gente. Parte deles são os agentes de conhecimento que, através do honorário público, têm a missa a seu cargo, em preparar os sempre novos jovens-adultos para a vida activa (como outrora, os missionários), quer dizer, dar-lhes conhecimento para serem pessoas inteligentes e expeditas, científicas e criativas suficientes para produzirem novo conhecimento. Nesse movimento, os jovens-adultos, electrizados pelo ímpeto, envolvem-se em actividades culturais variadas. Muitos deles constroem um currículo paralelo aos estudos. A Associação Académica de Coimbra (AAC) e seus inter-organismos promovem isso mesmo. Assim acontece com a cultura que, como aqui se pretende mostrar, toda a gente a tem, mesmo sem o saber. Porque é desta fonte que quase tudo brota nesta cidade, também é dela que tudo se esvai, não por culpa própria, mas por culpa de todos os responsáveis políticos que determinam o escoamento das águas.

Desde que Coimbra foi Capital Nacional da Cultura (com a maioria dos seus responsáveis e irresponsáveis esquecidos), onde paira a cultura? Vamos por partes:

Nas artes plásticas, comecemos pelo CAPC, porque também surgiu da AAC e porque parece fechado, não se percebendo porquê, sendo ele uma oportunidade da arte contemporânea se abrir na cidade, porque se fechou a si mesmo e porque foi abandonado?; A Secção de Fotografia parece agora reabilitada na AAC, tendo que ser “pró-secção”, porque a antiga (também da AAC) transformou-se no Centro de Artes Visuais, diga-se (apesar do corporativismo), uma oportunidade quase ganha na cidade. Digo “quase ganha” porque lhe falta ser realmente da cidade. Primeiro, porque parece que a cidade (na sua representação política) parece não estar interessada no projecto, uma estrutura de média escala para a arte contemporânea, mesmo que com fortes tendências globalizantes, depois, porque é sabido que não aposta na cultura local para a sua afirmação global indo, parodicamente, ao encontro da tendência municipal que também nada disso pretende; A Casa Municipal da Cultura mais parece um “galinheiro da cultura”, é o que temos para, numa sala sem nobreza fazer aparecer alguns pintores “desesperados” (o que é feito da sala nobre da cidade e que já foi biblioteca municipal?); O Pavilhão Centro de Portugal é um truísmo, quer dizer, o dinheiro tem que ir para algum lado e, se o compraram (depois do estádio), não têm nada para pôr lá dentro; as galerias de arte não existem para a arte contemporânea simplesmente porque nem os médicos, nem os professores universitários a frequentam, nem nunca ninguém será habituado a isso.

Nas artes performativas (teatro, dança, música), todas as associações de teatro emergiram do teatro universitário, e não receberam mais subsídios camarários depois de 2003, exceptuando o atribuído ao ano de 2005 que ainda não foi pago, a não ser para a Escola da Noite e Teatrão_ as únicas companhias que têm um espaço na cidade_ subsídio esse, e bem, atribuído pela primeira vez a partir de regras definidas pela Câmara Municipal (mesmo que nunca tenham sido cumpridas por ela própria, uma vez que nunca respondeu formalmente ao estabelecido nas regras de apoio cultural por ela formadas, contrariando-se a si própria_ pagam os contribuintes). Como se deveria saber, o teatro amador é prioritário na política municipal mas, mesmo aqui, a avaliar pelos programas das instituições dedicadas ao teatro, apesar de parte delas terem no seu programa acções que concernem o teatro amador, não têm subsídio ou apoio da Câmara Municipal (excepção feita ao Bonifrates e ao Grupo de Teatro Amador de Taveiro_ todos os outros: “chapéu”); O Teatro da Cerca de São Bernardo quanto custou? É que já está pronto e não existe, já tem cadeiras da bancada de público estragadas e está vazio, mesmo antes de estrear o quer que seja_ a não ser que contem para este investimento as festas de natal da Câmara Municipal. É novo e já é ruína. Pagam os contribuintes;

A Oficina Municipal do Teatro alberga as duas companhias de teatro hegemónicas da cidade e que apenas serve para isso, para as manter unicamente hegemónicas e únicas candidatas à lápide em algum novo Penedo (talvez, o da Conchada); Fez-se uma escola de teatro numa Escola Superior de Educação, alarga-se a formação teatral na cidade para além do teatro universitário, mas não se dá condições para a fixação desses recém formados na cidade (em consonância com a ausência de condições de fixação para as instituições teatrais existentes). Não existem salas-estúdio nem para teatro, nem para dança (a Trampolim era a única associação a dedicada à dança e dissolveu-se à uns anos, com os seus membros a migrarem para outros destinos). O Teatro Académico de Gil Vicente mantém-se o único resistente em promover as artes performativas na cidade, honrando a Universidade de Coimbra mas, também ele, se viu abandonado pelo apoio camarário. Vive, porque os seus responsáveis assumiram a difícil tarefa de não querer sugar apenas os dinheiros das propinas estudantis, e espera-se que vive para além do abandono que a política da cidade lhe ofereceu. Reinventa-se com as possibilidades que tem.

Quanto à música, para além das bandas Rock que todos conhecem, e que conferem já uma identidade simbólica à cidade, vanglorie-se a Cosa Nostra que, residente por um dia semanal na Via Latina, põe Coimbra no mapa da música electrónica internacional. Agora, parece, também o Ar de Rato alberga, por um dia semanal, uma programação para o Rock. Não se trata de fazer publicidade aos espaços, trata-se de tornar visível o trabalho que pessoas alheias a esses espaços estão a fazer pela cidade. Tal como no teatro, na música, são apenas resistentes que ficam, masoquistas que não têm nenhum chicote sobre eles mas que, sem eles mas com chicote, nada aconteceria nesta cidade. Todos os outros partiram, não por não serem de cá, por apenas cá ter estudado, mas porque não existe uma política que promova a sua acção/formação fixada, em ordem a difundir nos cidadãos a oportunidade de fruição cultural. E nesse sentido, os poucos que são, são heróis. Hoje, deveriam ser tão importantes como as lápides, porque são vivos e podem, assim, colocar Coimbra no mapa.

Falta a Coimbra uma política da cultura consonante com a “cidade do conhecimento”, uma política que esqueça a prioridade das lápides e se arremesse para os jovens-adultos que forma. Falta a Coimbra pequenos estúdios (não se trata, de facto, da “dependência do subsídio”, argumento que faz reagir o eleitorado mais inócuo e pouco esclarecido em relação ao futuro dos seus filhos), mas espaços que promovam a emergência de grupos e pessoas criativas, que permitam a recepção de outros grupos e pessoas europeias, incentivando o intercâmbio (alguém sabe o que quer dizer cidade geminada? Não é claro que a globalização é o poder de afirmação do local?). Falta a Coimbra vontade política para transformar a cidade universitária (que epitomizaram de “cidade do conhecimento”), uma cidade em que a cultura viva é conhecimento. Porque nesta cidade é impossível criar um mercado de trabalho da cultura sem condições que alberguem pessoas, todas elas migram para Lisboa, para o Porto, para Barcelona, ou para onde for possível fazê-lo (conhece-se grandes projectos aqui realizados e, por isso, citados). E que outro património cultural é possível acrescentar senão o das pessoas que aí vivem? Que outro património tangível e intangível é possível acrescentar para além das pessoas vivas?

A cidade da exumação há-de não ter mais razão para existir porque se esvaem os artistas (para não falar dos empresários) que nela nascem, ainda que aqui formados. Também Zeca Afonso foi e, depois dele, actores e actrizes, músicos e programadores, pintores, escultores, e dirigentes associativos que procuravam na cultura a sua existência. Coimbra é cidade universitária e sempre o será, forma pessoas e dá-lhes o apetite cultural da formação, contrariando a imagem de Coimbra, “cidade da bebedeira”. Contudo, sabe a cidade enxotá-los, antes mesmo de os acabar de formar, pela sua imbecilidade em traduzir educação em sociedade ou, formação em cidadania. Parece que os governantes da cidade estão realmente interessados em fazer crer que “conhecimento” é “bebedeira”. É justamente por isso que este texto surge.

Os artistas que estão e se afirmam de Coimbra são uns heróis mas não esperam a exumação, são marginais da proliferação de grandes superfícies comerciais que se sobrepõem a projectos de shoppings, ou lojas, em cima de teatros que podiam continuar a adaptar-se à ideia de cidade da cultura, para afirmar o local, quiçá, global. Agora, já existem centros comerciais que foram teatros e que, ambos, faliram. Se os últimos foram por mão da Câmara Municipal (executivo anterior), os primeiros são das leis do mercado. O Avenida (teatro e shopping) faliu. Sugiro que se faça do espaço um museu zoológico, melhor, um museu de lápides dos génios que governam esta cidade (não necessita de alteração nenhuma, arquitectónica ou sociológica), continuará a ser um projecto falhado de reinvenção, como a cidade começa a ficar conhecida em termos culturais, económicos, sociais...

Coimbra é a cidade da exumação, da desterritorialização, de deixar de ser espaço de afirmação cultural (nem os ranchos folclóricos ou filarmónicas resistirão), uma cidade perdida no conhecimento (até a universidade, em muitas dimensões, se vê inapta). Coimbra, no futuro, para exumar, só mesmo o cimento, com placas alegóricas ao seu desaparecimento. Como a maioria das pessoas que se esforçam culturalmente, bye bye Aeminium, bye bye Coimbra, também eu me vou.

Ricardo Pankkas

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Não, não é uma partida de Carnaval.

Não, não é uma partida de Carnaval. È um artista conimbricense numa performance digna de se ver. O seu trabalho de língua, em Ibiza, deixa-nos perplexos. Grande Homem da Aranha.
http://www.youtube.com/watch?v=VXHr8Xr8uRg